Ou a Fragueira ou Paris - Francisco de Lacerda em Viagem

01-09-2017

Ou a Fragueira, ou Paris, uma frase atribuída ao compositor Francisco de Lacerda, é o título de um recital que estabelece uma ponte entre dois lugares que influenciaram a obra de um dos mais relevantes e identitários compositores portugueses do séc XX: os Açores, a casa, e Paris, cidade das luzes. O adufe e o movimento da dança serão a raiz e a viagem. As Trovas e as canções francesas a saudade e o futuro.

Nascido nos Açores, Francisco de Lacerda estudou no Conservatório de Lisboa. Em 1895 partiu para Paris, onde estudou no Conservatório e na Schola Cantorum (com Vincent d'Indy), tendo tido contacto com os vultos de maior destaque no seu tempo. Em 1913 regressa aos Açores, onde durante oito anos passa grandes temporadas numa pequena casa de veraneio situada na minúscula Fajã da Fragueira, na costa sul da ilha. É então que lhe é atribuída a frase Ou a Fragueira, ou Paris. "No período do seu regresso aos Açores, entre 1913 e 1921, Lacerda dedica-se especialmente à recolha e ao estudo da Música Tradicional portuguesa, ao que regressará quando regressar de vez ao País, nos seus anos finais de residência em Lisboa. Deste trabalho resultará um Cancioneiro Musical Português, com melodias tradicionais harmonizadas para Canto e Piano pelo compositor, de que chegarão a sair postumamente, em 1935, cinco fascículos patrocinados pelo Instituto de Alta Cultura. Mas o seu interesse pelas tradições musicais populares vai menos no sentido da pesquisa etnomusicológica, propriamente dita, do que do estudo do património musical tradicional como base para uma tentativa de definição de um idioma musical identitário, inspirado pelos cantos e danças rurais mas aberto ao mesmo tempo a uma linguagem harmónica e instrumental contemporânea. É desta atitude − e igualmente da colaboração como pianista com as cantoras Marina Dewander Gabriel e Arminda Correia, que o estimula a interessar-se redobradamente pela escrita da Canção de Câmara − que surgem as Trovas para Canto e Piano, uma série de trinta e seis pequenas peças sobre quadras do cancioneiro popular (ou, em alguns casos, da autoria do próprio compositor, num estilo que procura aproximar-se do sabor rústico daquelas)." Rui Vieira Nery.

Programa

Desde que os cravos rosas

Inda que o lume se apague

Gabriel Fauré

Fleur jetée

Au bord de l'eau

Tenho tantas saudades

Não morreu nem acabou

Claude Debussy

Fantoches

Nuit d'étoiles

Os meus olhos nos teus olhos

Quero cantar se alegre

Maurice Ravel

Tripatos

Le Réveil de la Marieé

Canção triste

Ó fonte que estais chorando

Francis Poulenc

Les Chemins de l'amour

Voyage a Paris

Quem me dera ser a hera

Em cima do alto monte